O pangolim é um mamífero peculiar e pouco conhecido, com um corpo coberto por escamas duras feitas de queratina (a mesma substância que compõe unhas e cabelos humanos). Ele é frequentemente chamado de "tamanduá escamoso" por sua aparência e hábitos alimentares.
Onde vive o pangolim?
Existem oito espécies de pangolim, divididas em dois grupos:
Quatro espécies africanas: encontradas em regiões da África subsaariana, em florestas tropicais, savanas e áreas de vegetação mista.
Quatro espécies asiáticas: distribuídas pelo sul e sudeste asiático, incluindo países como China, Índia, Indonésia, Malásia e Vietnã.
Hábitos do pangolim
Alimentação: São insetívoros, com uma dieta quase exclusiva de formigas e cupins. Usam suas línguas longas e pegajosas (podem ser maiores que o próprio corpo) para capturar as presas dentro dos ninhos.
Comportamento: São solitários e noturnos, e muitos vivem no solo, embora algumas espécies sejam arborícolas.
Defesa: Quando ameaçados, se enrolam como um tatu-bola, protegendo-se com suas escamas afiadas.
Reprodução: Têm reprodução lenta — geralmente apenas um filhote por gestação — o que dificulta a recuperação de populações reduzidas.
Por que é o animal mais traficado do mundo?
O pangolim é considerado o mamífero mais traficado do planeta, e isso se deve a dois fatores principais:
Escamas: Muito valorizadas na medicina tradicional chinesa e vietnamita, onde se acredita (sem base científica) que tenham propriedades curativas, como tratar inflamações, problemas de circulação e até câncer.
Carne: Em alguns países asiáticos, a carne de pangolim é considerada uma iguaria de luxo e símbolo de status social.
Estima-se que mais de 1 milhão de pangolins foram capturados na última década, apesar de todas as espécies estarem protegidas por leis internacionais.
Conservação
Todas as espécies de pangolim estão listadas na CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção), com proibição total do comércio internacional.
A IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) classifica várias espécies como criticamente ameaçadas.
Proteção legal e real: o que está sendo feito?
Proteção legal (em teoria):
CITES: Desde 2016, todas as 8 espécies de pangolim estão no Anexo I da CITES, o que proíbe todo comércio internacional desses animais e de seus produtos (escamas, carne, etc.).
Leis nacionais: Muitos países da Ásia e África possuem leis específicas que criminalizam o tráfico, captura e comércio de pangolins.
Áreas protegidas: Algumas populações vivem em reservas e parques nacionais.
Na prática (realidade):
A aplicação da lei é muito fraca em vários países, devido a:
Corrupção
Demanda internacional alta
Baixo investimento em fiscalização
Redes de tráfico operam de forma semelhante ao tráfico de drogas e armas, com rotas clandestinas e mercados ilegais.
Portanto, a proteção ainda é insuficiente e os pangolins continuam sendo alvo de tráfico em larga escala.
Pangolim e a pandemia de COVID-19: há relação?
No início da pandemia, em 2020, estudos preliminares encontraram vírus semelhantes ao SARS-CoV-2 (o vírus causador da COVID-19) em pangolins da China.
Hipótese inicial: o pangolim poderia ter sido hospedeiro intermediário, entre o morcego (reservatório natural) e o ser humano.
Conclusão posterior: a semelhança genética entre os coronavírus de pangolim e o SARS-CoV-2 não é suficiente para confirmar que o pangolim foi o intermediário direto.
Hoje, os cientistas consideram improvável que ele tenha sido a fonte direta da pandemia, embora isso ainda não esteja totalmente descartado.
Tabela de Espécies de Pangolim e seu Status de Conservação
Espécie
Continente
Status na IUCN
Risco
Pangolim-chinês (M. pentadactyla) Ásia Criticamente ameaçado Extinção iminente Pangolim-malaio (M. javanica) Ásia Criticamente ameaçado Extinção iminente Pangolim-filipino (M. culionensis) Ásia Criticamente ameaçado Extinção iminente Pangolim-indiano (M. crassicaudata) Ásia Em perigo Alto risco de extinção Pangolim-gigante (S. gigantea) África Vulnerável Moderado risco de extinção Pangolim-de-cauda-longa (P. tetradactyla) África Quase ameaçado Pode se tornar ameaçado Pangolim-de-temminck (S. temminckii) África Menor preocupação (declínio) População caindo Pangolim-de-barriga-branca (P. tricuspis) África Quase ameaçado Pode se tornar ameaçado
Nota: Todas essas espécies estão no Anexo I da CITES, com comércio internacional proibido.
Escamas de pangolim: afrodisíacas? Medicinais?
As escamas de pangolim são formadas de queratina, a mesma proteína das unhas e cabelos humanos. Ou seja, não têm propriedades especiais do ponto de vista científico.
No entanto, na medicina tradicional asiática, especialmente na China e no Vietnã, acredita-se que tenham efeitos como:
Estimular a circulação sanguínea
Ajudar na lactação
Tratar doenças de pele
Agir como afrodisíaco
Tratar artrite, asma, entre outras condições
Nenhum desses efeitos tem comprovação científica. Trata-se de crenças tradicionais sem base médica confiável.
Por isso, a caça e o tráfico continuam intensos, mesmo com a proibição. Em alguns mercados, escamas chegam a ser mais caras que ouro, sendo moídas em pó ou usadas em "remédios".
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Pangolim e a pandemia de COVID-19: há relação?
Tabela de Espécies de Pangolim e seu Status de Conservação
Espécie
Continente
Status na IUCN
Risco
Nota: Todas essas espécies estão no Anexo I da CITES, com comércio internacional proibido.
Escamas de pangolim: afrodisíacas? Medicinais?
Nenhum desses efeitos tem comprovação científica. Trata-se de crenças tradicionais sem base médica confiável.
Estima-se que mais de 1 milhão de pangolins foram capturados na última década, apesar de todas as espécies estarem protegidas por leis internacionais.
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