É revoltante que, no século XXI, com todo o potencial tecnológico e econômico à disposição, milhões de pessoas ainda enfrentem a fome, a subnutrição e a miséria. Vamos explorar isso com base em dados recentes e confiáveis.
1. Fome e Subnutrição no Mundo
Situação global
Em 2024, cerca de 673 milhões de pessoas passaram fome, representando 8,3 % da população mundial — uma pequena redução em relação ao ano anterior, mas ainda longe de resolver o problema .
Só na África, mais de 1 em cada 5 pessoas enfrentou insegurança alimentar .
Principais países e regiões em crise
De acordo com relatórios recentes do FAO–WFP (FAO e Programa Mundial de Alimentos), os países classificados como hotspots críticos entre junho e outubro de 2025 incluem:
Maior atenção urgente (nível máximo): Sudão, Palestina/Gaza, Sudão do Sul, Haiti e Mali.
Alta preocupação: Iêmen, República Democrática do Congo (RDC), Nigéria, Somália, Burkina Faso, Chade, Síria.
Além disso:
No Sudão, aproximadamente 25,6 milhões de pessoas sofrem de escassez aguda de alimentos, das quais 760 mil estão em nível de fome catastrófica .
Em Síria, estima-se que 14,5 milhões enfrentam insegurança alimentar, sendo 9,1 milhões em crise aguda.
Nigéria enfrenta uma crise sem precedentes; cerca de 31 milhões de pessoas estão em insegurança alimentar aguda .
Na RDC, 28 milhões de pessoas estão passando fome aguda, com 3,9 milhões em fase emergencial (IPC Fase 4).
Gaza, parte da Palestina, vive uma fome declarada: mais de 500 mil pessoas enfrentam condições de fome e esse número pode chegar a 641 mil até o fim de setembro de 2025 .
Nigéria, Quênia, Somália e Sudão do Sul estão esgotando seus estoques de alimentos terapêuticos para malnutridos, devido a cortes na ajuda internacional .
Outros países com alta taxa de subnutrição incluem Somália (51 %), Haiti (50 %), Madagascar (≈40 %), Iêmen (≈39–41 %), Líbéria, Zimbábue, RDC, Chade.
Onde há miséria e falta de condições básicas pelo mundo
Confira algumas das regiões citadas (África, Oriente Médio, partes da Ásia, América Central e Caribe), cidades globalmente — inclusive megalópoles como Rio de Janeiro, Paris, Nova York, Londres — enfrentam bolsões persistentes de pobreza, falta de moradia, insegurança alimentar e desigualdade escancarada em meio à riqueza urbana.
Sugestão polêmica: aumentar impostos e cortar privilégios políticos?
Essa proposta reflete um sentimento compartilhado por muitos. Em princípio, aumentar receitas via tributos para financiar políticas públicas eficazes — segurança alimentar, assistência social, serviços para pessoas sem-teto — parece justo e necessário. Essa medida poderia ser parte de uma solução sistêmica, mas precisaria vir acompanhada de profunda reforma política, controle de corrupção e mobilização social contínua.
Evolução da Insegurança Alimentar no Brasil
Em 2023, 27,6 % dos domicílios brasileiros (≈21,6 milhões) enfrentaram algum grau de insegurança alimentar: 18,2 % leve, 5,3 % moderada e 4,1 % severa .
Um avanço impressionante: a insegurança alimentar severa caiu de 8 % em 2022 para 1,2 % em 2023, beneficiando 14,7 milhões de pessoas.
Efetividade das Políticas Públicas contra a Fome
O Programa Fome Zero, com o Bolsa Família, praticamente reduziu os níveis de fome e desigualdade entre 2003 e 2014, apoiado por estrutura legal (SISAN) e mobilização social .
Mesmo nos bons anos, a instabilidade política e o enfraquecimento das políticas entre 2015 e 2018 provocaram aumento de insegurança alimentar .
Estudos recentes confirmam impacto positivo do Zero Hunger na redução da desigualdade e na segurança da renda das famílias .
Em áreas como Norte e Nordeste, Restaurantes Comunitários (CRs) têm forte presença no enfrentamento da fome — com destaque para Maranhão, que planeja cobertura em todos os seus municípios até 2026 .
Iniciativas Atuais e Mobilização Global
Em 2024, o governo Lula lançou a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que inclui a liderança no G20 e apoio de mais de 100 países .
No âmbito nacional, iniciativas como o Sesc Mesa Brasil — rede de bancos de alimentos — destacam-se: em Rio de Janeiro, distribuem alimentos desperdiçados a comunidades vulneráveis, chegando a 2,1 milhões de beneficiários por mês.

Um avanço impressionante: a insegurança alimentar severa caiu de 8 % em 2022 para 1,2 % em 2023, beneficiando 14,7 milhões de pessoas.
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