PRAGAS, CONFLITOS E CLIMA EXTREMO SÃO EVENTOS CONTORNADOS PELO COFRE DE SEMENTES "UM SEGURO GENÉTICO CONTRA A FOME". A FOME.

     EMBRAPA envia sementes para o Banco mundial Svalbard na Noruega ( Ártico).
 

 “bancos de sementes”:

  • Estimativas confiáveis apontam cerca de 1.700–2.000 genebanks (bancos/coleções ex situ) no mundo, que juntos guardam ~7,4 milhões de amostras (acessos) — porém só ~2 milhões seriam realmente únicos (há muita duplicação entre coleções).

  • A FAO mantém o sistema WIEWS (cadastro de instituições) — dezenas de milhares de organizações estão registradas como envolvidas com conservação/uso de recursos genéticos, mas isso é mais amplo do que “número de bancos” em si. 

  • Entre os maiores, destaque para o Sistema de Genebanks do CGIAR (≈700–770 mil acessos), o Millennium Seed Bank do Kew (sementes de >40 mil espécies), e o Svalbard Global Seed Vault, o cofre de segurança no Ártico (capacidade 4,5 milhões de amostras; ~1,33 milhão depositadas até 2025). 

  • A estratégia técnica por trás de “colecionar sementes” (como isso salva a humanidade em crises)

  1. Coletar a diversidade certa
    Foco em espécies nativas e parentes silvestres de cultivos (crop wild relatives), além de variedades tradicionais. Esses materiais guardam genes de resistência a pragas, doenças, seca, calor, salinidade, etc. Coleta inclui dados de “passaporte” (onde/como foi coletado) para permitir uso em melhoramento. 

  2. Armazenar corretamente (sementes “ortodoxas”)
    A maioria das espécies agrícolas produz sementes ortodoxas, que podem ser secas (≈15% UR/10% umidade ou menos) e congeladas (~–18 °C), em recipientes herméticos. Regra de ouro: reduzir umidade e temperatura dobra a longevidade. São padrões internacionais da FAO/Kew. 

  3. Quando a semente não tolera congelamento
    Sementes recalcitrantes (p. ex., muitas árvores tropicais, cacau, carvalho) não suportam secagem/congelamento. Nesses casos usa-se coleções em campocultura in vitro e criopreservação (em nitrogênio líquido) para material clonal/recalcitrante (bananeira, batata, café, etc.). 
    Testar, regenerar e documentar

  4. Bancos monitoram viabilidade periodicamente; quando cai abaixo de um limiar, regeneram sementes em campo/estufa mantendo distância genética. Tudo fica documentado em bases como Genesys e nos painéis SDG/FAO.Duplicar com segurança (“black box”)

  5. Toda coleção deve ter cópia de segurança em outro local (primeiro nível) e, quando possível, uma segunda cópia em Svalbard sob regime black box (o cofre guarda, mas não acessa o material). Esse “seguro” já salvou coleções — o caso clássico é o ICARDA, que retirou sementes de Svalbard após a guerra na Síria e reestabeleceu os bancos no Líbano e Marrocos. Acesso e repartição de benefícios (regra do jogo)

  6. Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para Alimentação e Agricultura (ITPGRFA) criou o Sistema Multilateral (MLS) e o contrato SMTA para facilitar o intercâmbio legal e a repartição de benefícios. Isso garante que o germoplasma circule para pesquisa e melhoramento, inclusive em emergências. Papel do “cofre global”

  7. Svalbard Global Seed Vault é o backup de último recurso do planeta: recebe depósitos de >120 depositantes e hoje guarda ~1,33 milhão de amostras; continua recebendo novos lotes (ex.: depósitos em out/2024 e jun/2025). 

Como isso se conecta à segurança alimentar

  • Em crises (conflitos, pragas emergentes, clima extremo), os bancos permitem reconstituir coleções perdidas e fornecem genes para criar cultivares mais produtivas e resilientes, sustentando a base de grãos que alimenta o mundo. É o “seguro genético” que complementa silos e estoques.

Comentários

  1. O Svalbard Global Seed Vault ( Noruega) é o backup de último recurso do planeta: recebe depósitos de >120 depositantes e hoje guarda ~1,33 milhão de amostras; continua recebendo novos lotes (ex.: depósitos em out/2024 e jun/2025).

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