ATÉ VIRAR CHURRASCO, É SÓ MÚ-MÚ, ARROTO, FLATULÊNCIA DA BOIADA E EMISSÕES DE BIOMETANO (gee) NA ATMOSFERA.
A “mú-mú + arrotos + flatulência” da boiada é relevante para aquecimento global, e há recursos técnicos sendo desenvolvidos para mitigar isso, inclusive no Brasil.
O que sabemos que existe
A digestão dos ruminantes (como bovinos) gera metano via “fermentação entérica” no rúmen — parte muito maior via arroto (burp) do que flatulência “normal”.
Há aditivos para ração (ou suplementos alimentares) criados especificamente para diminuir essas emissões de metano. Exemplos:
Bovaer® (ingrediente ativo 3-Nitrooxypropanol, ou 3-NOP).
Outros como extratos de algas marinhas, por exemplo a Asparagopsis taxiformis, que demonstraram em laboratório reduções altíssimas de metano.
3- No Brasil:
O Bovaer já foi aprovado para uso em bovinos no Brasil (e Chile) em 2021. Há também relatórios de incentivos públicos para práticas de abatimento de metano na agricultura brasileira. Estudos apontam que, por conta de pastagens pobres ou degradadas e lento ganho de peso, o sistema bovino no Brasil acaba emitindo mais metano por kg de carne comparado a outros países.
Os criadores no Brasil já estão usando esse recurso amplamente?
Aqui é onde a resposta é: não plenamente ainda. Alguns pontos importantes:
A aprovação regulatória do aditivo Bovaer existe, mas aprovação ≠ adoção em escala massiva.
Um relatório técnico afirma que no Brasil “há ensaios comerciais limitados” com aditivos como o 3-NOP.
Vários desafios: custo, logística (como incorporar o aditivo às dietas desse caráter extensivo de muitos rebanhos), educação dos produtores, incentivo econômico.
Além disso, há outras estratégias mais tradicionais que alguns produtores usam (melhorar pastagens, acelerar ganho de peso, reduzir tempo de engorda) — que também ajudam a mitigar metano como efeito colateral.
- AVALIAÇÃO PRELIMINAR:
Sim, há “o comprimido” (ou quase isso: suplemento para ração) para “acalmar o intestino/rumen” e reduzir metano. Mas não está ainda massivamente disseminado no Brasil.
Se eu tivesse de resumir:Potencial grande: se aplicado, pode reduzir bastante o metano por animal.
Uso limitado: adoção ainda tímida, por múltiplos fatores.
Complementar: não é a única solução — melhorar manejo, pastagens, sistema produtivo conta também.
Resumo curto:Quantos produtores usam Bovaer no Brasil?
Não existe um número público único e atualizado — a adoção ainda é limitada e concentrada em pilotos e projetos comerciais (programas de testes em confinamento e projetos de crédito de carbono). Não há base de dados pública que liste “n X produtores” usando o produto no país.Onde (quais regiões/estados) há mais atividade/possibilidade de adoção?
A adoção inicial ocorre mais em sistemas confinados / feedlots e em cadeias de laticínios — regiões com maior atividade de confinamento e cadeias integradas (Sudeste, Sul e estados do Centro-Oeste com grandes rebanhos e crescente confinamento). Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais são estados com grande rebanho e forte presença de feedlots/dairy que, portanto, são os lugares prováveis de início de uso comercial.Custo médio por animal (ordem de grandeza):
Estimativas públicas colocam o custo do Bovaer na faixa de ~US$0,30 a US$0,50 por animal por dia (varia conforme sistema — leite vs. confinamento de acabamento). Em termos anuais, esse custo pode equivaler a algo como ~US$100–180/animal/ano, dependendo de dose e dias de alimentação. Há também relatos que em sistemas lácteos o custo represente “US$0,01 por litro de leite” em cenários testados.Eficácia prática:
Em estudos e testes comerciais o 3-NOP (Bovaer) reduz enteric methane tipicamente na faixa ~30% para vacas leiteiras e ~40–45% (ou mais, em alguns estudos) para bovinos de confinamento, quando é bem administrado com ração total. Resultados variam com dieta e manejo.
Principais barreiras à adoção no Brasil:
Logística e sistema de produção: 3-NOP funciona melhor quando incorporado ao concentrado/rações (TMR/feedlot/dietas de confinamento). Em sistemas extensivos a pasto (muito comuns no Brasil) é mais difícil, logisticamente, distribuir o aditivo a todo o rebanho.
Custo e modelo de remuneração: custo direto por cabeça pode ser relevante para margens do produtor — sem um comprador que pague prêmio por carne/leite “baixo carbono” ou sem financiamento (ex.: mecanismos de carbono/insets), o produtor arca sozinho com o custo. Há pilotos tentando integrar receita de créditos de carbono, mas ainda em fase inicial.
Escalabilidade e oferta: para alternativas como as algas (Asparagopsis) há desafios de produção em larga escala e consistência de produto; para 3-NOP, fornecedores e cadeia de fornecimento precisam crescer.
Regulação, percepção pública e resistência: aprovações existem, mas há debates públicos sobre segurança/rotulagem e resistência política/social em alguns mercados, o que pode frear expansão comercial rápida.
Efeito dependente do sistema produtivo: os maiores ganhos técnicos (e retorno econômico) tendem a aparecer em confinamento e produção intensiva — menos claro o retorno em pasto extensivo sem mudanças de manejo.

Existe “o comprimido” (ou quase isso: suplemento para ração) para “acalmar o intestino/rumen” e reduzir metano. Mas não está ainda massivamente disseminado no Brasil .
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