Por que o risco nuclear não é só coisa de filme
Corrida armamentista de novo
Segundo o SIPRI (Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo), muitos países estão modernizando ou expandindo seus arsenais nucleares.
Esse retorno à lógica de corrida nuclear eleva o risco porque não é só manter armas antigas — é desenvolver sistemas mais rápidos, mais precisos, potencialmente mais automatizados.
Alerta operacional elevado
De acordo com o relatório citado pela DW, cerca de 2.100 ogivas nucleares estariam em mísseis balísticos em “estado de alerta máximo” (ou seja, prontas para serem lançadas) — grande parte disso pertence a EUA e Rússia.
Isso significa que, em tese, o tempo de reação entre um possível ataque e uma retaliação é curto, o que aumenta o risco de erro ou escalada rápida.
Novas tecnologias e IA
Um ponto especialmente preocupante: a modernização nuclear agora envolve inteligência artificial, ciberespaço e outras inovações tecnológicas.
Há estudos (acadêmicos) que já discutem a automação de sistemas de comando e disparo nuclear, e como isso pode tornar o risco de uso mais “crível” para líderes dissuasores, diminuindo o controle humano.
Menos controle diplomático
A ONU já alertou recentemente que o risco de guerra nuclear está “alarmantemente alto”.
Tratados e diálogos de estabilidade estratégica têm sido postos à prova: por exemplo, a modernização armamentista e a escalada geopolítica complicam a manutenção de mecanismos de diálogo de desarmamento.
Estabilidade-Instabilidade
Existe uma teoria em Relações Internacionais chamada paradoxo estabilidade-instabilidade: quando dois países têm armas nucleares, a guerra “grande” (nuclear) é menos provável porque a destruição mútua assegurada funciona como dissuasão; mas isso pode aumentar conflitos menores (convencionais), porque os países acreditam que não vão escalar até o nuclear por causa do risco extremo.
Doutrina da destruição mútua assegurada (MAD)
Essa doutrina (Mutual Assured Destruction) é ainda base da lógica nuclear: cada potência sabe que um ataque nuclear provavelmente resultaria numa retaliação devastadora que destruiria ambos os lados.
Isso não elimina o risco, mas cria uma forte dissuasão estratégica — é um dos motivos pelos quais muitos analistas acham improvável um ataque nuclear deliberado em larga escala.
2. Por que talvez não estejamos à beira de um holocausto nuclear total
Mesmo com arsenais enormes, usar armas nucleares é uma decisão com consequências tão catastróficas que há muitos mecanismos (estratégicos, políticos, diplomáticos) para tentar evitar isso.
A dissuasão nuclear, apesar de arriscada, ainda funciona: muitos líderes entendem que um primeiro disparo é extremamente perigoso para quem ataca, por retaliação.
Alguns riscos mais visíveis hoje são nucleares “táticos” ou limitados (menores), não necessariamente um holocausto total — e embora ainda sejam extremamente sérios, são teoricamente mais “controláveis” (embora “controlável” em armas nucleares ainda signifique destruição em massa).
Além disso, há muito trabalho diplomático (embora insuficiente) para tentar manter o controle e reduzir tensões — não estamos completamente no vácuo; há mecanismos, diálogos, tratados (ou tentativas) de estabilização.
3. Mas … os filmes têm razão em nos assustar
As narrativas de “Games of War”, “O Dia Seguinte” etc., capturam bem uma ansiedade legítima: a possibilidade de erro humano, falha de sistemas, escalada não intencional ou decisões desesperadas em momentos de crise.
Esses filmes ajudam a dar forma concreta a medos abstratos, e servem como alerta cultural: a humanidade já lidou com esse risco, e pode lidar de novo — mas é perigoso normalizar ou subestimar a ameaça.
4. Qual é o cenário mais provável — e mais preocupante — no curto prazo:
Um conflito nuclear total entre Rússia e EUA parece improvável no momento, segundo muitos analistas, mas não impossível.
O risco mais próximo ou mais real pode vir de armas táticas usadas em uma escalada regional, ou de alerta máximo que aumente a chance de erro.
A modernização nuclear (tecnologias, IA, novos mísseis) torna o cenário mais volátil.
Se não houver mais controle ou diálogo, a “corrida de volta” pode agravar a situação.
5. Conclusão e reflexão pessoal
A humanidade enfrenta uma ansiedade nuclear legítima — muitas das preocupações dos filmes de ficção científica não estão tão distantes da realidade. Mas a probabilidade de um holocausto nuclear total imediato não é considerada alta por muitos especialistas, exatamente por causa da dissuasão, dos riscos para quem dispara, e pelo fato de que usar armas nucleares é arriscado demais para alguns atores estratégicos.
Ao mesmo tempo, o risco aumenta se não houver um controle mais forte, diálogo entre potências e redução de arsenais. O ideal — e o mais realista para evitar o pior — é justamente continuar investindo em diplomacia, tratados, mecanismos de verificação e controle de proliferação.

A humanidade enfrenta uma ansiedade nuclear legítima — muitas das preocupações dos filmes de ficção científica não estão tão distantes da realidade. Mas a probabilidade de um holocausto nuclear total imediato não é considerada alta por muitos especialistas, exatamente por causa da dissuasão, dos riscos para quem dispara, e pelo fato de que usar armas nucleares é arriscado demais para alguns atores estratégicos.
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