Quais compromissos não foram cumpridos ou foram apenas parcialmente cumpridos (principais exemplos)
a) Kyoto (metas vinculantes de 1ª fase) — parcial/insuficiente
Alguns países cumpriram metas; outros não. Os EUA não ratificaram o Protocolo e países como o Canadá se retiraram; globalmente, Kyoto não impediu o crescimento das emissões no conjunto, e sua cobertura deixou lacunas (ex.: grandes emitentes em crescimento não estavam sujeitos a metas rígidas na mesma fase).
b) Compromisso de US$100 bilhões/ano (financiamento de 2009 em diante) — não cumprido integralmente
Países desenvolvidos reafirmaram o objetivo, mas relatórios e análises mostram que os fluxos líquidos, composição e previsibilidade financeira ficaram aquém do necessário e atrasados em vários anos. COP26/Glasgow e subsequentes reiteraram a necessidade de cumprir e ampliar esse apoio.
c) NDCs e meta 1,5°C — insuficientes coletivamente (parcialmente cumpridos em medidas isoladas)
O Acordo de Paris exige incremento de ambição — na prática, as NDCs coletivas continuam abaixo das trajetórias compatíveis com 1,5°C; avaliações científicas e o primeiro Global Stocktake concluiram que o mundo não está no caminho para 1,5°C sem ações adicionais profundas até 2030.
d) Redução de carvão e combustíveis fósseis — compromissos recentes com implementação falha
Embora Glasgow (COP26) tenha incluído pela primeira vez referência ao carvão (phase-down) e COP28 tenha avançado no debate sobre combustíveis fósseis, muitos países ainda expandem usinas a gás/óleo/carvão; dados recentes mostram emissões globais subindo e fraca implementação prática.
e) Operacionalização de fundos (Loss & Damage, Adaptation) — em progresso, mas lento
COP27 criou o fundo de perdas e danos; entretanto, estabelecimento de regras, fontes regulares de financiamento e desembolso efetivo levaram mais tempo que o esperado — parte do compromisso está ainda em fase de operacionalização e arrecadação.
Por que muitos compromissos não foram integralmente cumpridos? — causas principais (síntese)
Falta de ambição e de políticas internas: declarações internacionais passaram muitas vezes à frente de leis/planos domésticos robustos.
Financiamento insuficiente e imprevisível: os fundos prometidos (mitigação, adaptação, perdas & danos) geralmente não chegaram em volume/tempo necessários.
Interesses econômicos e infraestrutura travada em fosséis: novos investimentos em combustíveis fósseis e infraestrutura “presa” (lock-in) dificultam mudanças rápidas.
Desigualdades entre países: diferenças em capacidade técnica, financeira e histórica de emissões geram impasses sobre quem paga o quê.
Falta de mecanismos de cumprimento mais rigorosos no sistema internacional (Paris tem ciclos de revisão, mas poucas sanções).
(Fontes: UNFCCC, IPCC, relatórios de acompanhamento e análises jornalísticas).
O que esperar da COP30 (Belém, 2025) — prioridades prováveis e desafios
Prioridades prováveis
Reforço das NDCs para 2030: pressão para que países entreguem metas mais ambiciosas compatíveis com limitar aquecimento (ou reduzir a lacuna identificada pelo Global Stocktake).
Financiamento climático ampliado e regras para o Fundo de Loss & Damage: operacionalizar e financiar mecanismos (transferências, seguros, instrumentos inovadores). COP29 já avançou no tema financeiro; COP30 deverá buscar implementação prática.
Florestas, uso da terra e desmatamento: por ser no Brasil, foco elevado em Amazônia, cadeias de produtos (soja, carne), restauração e acordos para reduzir desmatamento.
Energia e combustíveis fósseis: pressão para implementação concreta do “declínio” de fósseis anunciado em COP28 — metas setoriais, cronogramas e fim de subsídios danosos.
Desafios práticos
Capacidade logística e recepção (infraestrutura em Belém) e riscos políticos/pressões domésticas sobre posicionamentos do país anfitrião.
A lacuna de curto prazo (2030): relatórios científicos (IPCC, UNEP Emissions Gap) mostram que as reduções de 2030 são cruciais — há janela muito curta para ações transformadoras.
Perspectivas para o futuro — é possível frear as mudanças climáticas em curso?
Cenário científico (síntese)
A literatura científica (IPCC e Emissions Gap) é clara: há uma janela estreita nesta década (2020s) para cortar emissões de forma profunda até 2030 — sem isso, manter 1,5°C torna-se extremamente difícil e exigirá soluções ainda mais caras e arriscadas posteriormente. A meta 1,5°C já está cada vez mais difícil.
O que ainda dá para fazer — caminhos com impacto real
Cortes rápidos e profundos nas emissões de CO₂ nos setores de energia, indústria e transporte (década de 2020).
Acabar com subsídios a combustíveis fósseis e acelerar a eletrificação + renováveis + eficiência energética.
Investir massivamente em adaptação e proteção (infraestrutura, agricultura resistente), especialmente nos mais vulneráveis.
Garantir financiamento previsível e suficiente (mitigação, adaptação, perdas & danos) — instrumentos públicos e privados combinados.
Acordos sectoriais e regionais (ex.: cadeias de fornecimento, desmatamento zero, padrões industriais) e inovação tecnológica com equidade.
Todas essas ações são factíveis politicamente se houver vontade e pressão pública e se o financiamento for reorientado — mas exigem rapidez e coordenação. (Fontes: IPCC, UNFCCC, Emissions Gap).
Resumo executivo — pontos-chave que você pode levar daqui
Marcos internacionais: Kyoto (metas vinculantes, mecanismos), Paris (NDCs — estrutura atual), Glasgow/COP26 (primeira menção prática a carvão), COP27 (fundos de perdas & danos), COP28 (primeira linguagem explícita sobre combustíveis fósseis em texto final), COP29 (forte ênfase em financiamento).
O problema central: compromissos e declarações aumentaram, mas ação coletiva ainda é insuficiente para 1,5°C; a lacuna de 2030 é crítica.
Na COP30: espere disputa intensa sobre ambição 2030, financiamento (incl. operacionalizar Loss & Damage), e temas sensíveis para o Brasil (Amazônia, desmatamento, produção agropecuária). Haverá muita atenção internacional à capacidade do anfitrião de combinar desenvolvimento e proteção ambiental.

Na COP30: espere disputa intensa sobre ambição 2030, financiamento (incl. operacionalizar Loss & Damage), e temas sensíveis para o Brasil (Amazônia, desmatamento, produção agropecuária). Haverá muita atenção internacional à capacidade do anfitrião de combinar desenvolvimento e proteção ambiental.
ResponderExcluir