Entre os jovens indígenas que vivem na Amazônia Legal (que abrange áreas do Brasil, Bolívia, Peru, Colômbia e Venezuela), é sim comum a convivência com animais, mas o sentido de “animal de estimação” é bem diferente do que ocorre nas cidades.
Os bichos que vivem próximos às famílias indígenas — e que às vezes são tratados como companheiros — costumam ser filhotes de animais silvestres encontrados durante as atividades de caça ou coleta. Entre os mais comuns estão:
Macacos-prego, macaco-aranha e saguis — muito curiosos e afetivos, são acolhidos quando órfãos.
Araras e papagaios — valorizados por suas cores e por imitarem sons humanos.
Cutias e queixadas (pequenos roedores e porcos-do-mato) — às vezes criados próximos às casas por utilidade e afeto.
Tucanos e jacamins — aves de presença alegre, associadas a boa sorte ou proteção espiritual.
Jiboias e preguiças — menos comuns, mas respeitadas e admiradas em algumas etnias.
. Relação afetiva e simbólica
Para os povos indígenas amazônicos, a ideia de “ter um pet” não é de posse, mas de convivência e reciprocidade.
O animal é visto como um parente não humano, dotado de espírito, linguagem e intenção.
Muitas vezes, cuidar de um animal é um gesto de respeito à floresta, por exemplo, ao criar um filhote cuja mãe foi caçada para alimentação.
Esse cuidado tem valor educativo, pois as crianças aprendem a responsabilidade e a empatia desde cedo.
O que diferencia dos pets urbanos
Não há domesticação artificial: os animais são criados soltos, próximos, e depois podem voltar à natureza.
A afetividade é espiritual e cultural: algumas tribos acreditam que certos animais são mensageiros ou protetores.
O vínculo não é materialista: não há compra ou troca — o vínculo nasce do encontro e do cuidado.
Fora do Brasil
Nos territórios indígenas amazônicos de Peru, Colômbia e Bolívia, há práticas muito semelhantes.
Jovens indígenas asháninka, ticuna, shipibo e yanomami, por exemplo, criam aves e primatas órfãos.
Em algumas aldeias bolivianas, o quati é um “amigo da casa”, ajudando a limpar restos de comida — uma convivência funcional e afetiva.
Justificativa do sentimento
O afeto indígena pelos animais vem de uma cosmovisão integradora:
“A floresta é uma grande família, e cada ser tem seu papel. Cuidar de um animal é cuidar de uma parte de nós mesmos.”
Assim, o cuidado com os animais silvestres não é apenas emocional, mas ético e espiritual — uma forma de manter o equilíbrio entre humanos e natureza.
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O animal é visto como um parente não humano, dotado de espírito, linguagem e intenção.Muitas vezes, cuidar de um animal é um gesto de respeito à floresta, por exemplo, ao criar um filhote cuja mãe foi caçada para alimentação.
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