A TERRA CONGELADA POR 200 MILHÕES DE ANOS, EXPLICA ALTERAÇÕES DO CLIMA DRÁSTICAS ATUAIS QUANDO ATINGE CERTOS PONTOS DE NÃ0-RETORNO.
A ciência já possui explicações robustas para o gigantesco congelamento global conhecido como Eventos “Terra Bola de Neve”, que ocorreram entre ~720 e 635 milhões de anos atrás, durante o Neoproterozoico.
1. Continentes nas latitudes tropicais — o gatilho inicial
No Neoproterozoico, a maioria dos continentes estava concentrada no Equador.
Regiões tropicais têm muita chuva, calor e vegetação → isso intensifica o intemperismo químico das rochas, retirando CO₂ da atmosfera.
Menos CO₂ = menos efeito estufa = resfriamento global.
Este é considerado o gatilho que começou a derrubada de temperatura.
2. Baixa concentração de CO₂ atmosférico
A retirada de CO₂ pelos continentes tropicais derrubou o efeito estufa para níveis críticos.
Modelos climáticos mostram que se o CO₂ cair abaixo de um limiar (~100 ppm), a Terra entra rapidamente em glaciação descontrolada.
O planeta cruzou esse limite e iniciou uma série de feedbacks.
3. O efeito dominó do gelo: mais gelo → mais reflexão solar → mais resfriamento
Gelo e neve refletem de 60–90% da luz solar.
Quando as calotas polares começaram a crescer:
Mais gelo → maior albedo (reflexão da luz).
Menos luz absorvida → temperaturas ainda mais baixas.
Mais gelo e neve se formam.
Isso levou ao feedback positivo do albedo, que correu até congelar o planeta quase inteiro — oceanos e continentes.
4. Redução de vapor d’água e colapso do efeito estufa natural
Com a queda da temperatura:
Menos evaporação → menos vapor d’água, o mais forte gás de efeito estufa natural.
A atmosfera ficou extremamente seca.
O sistema climático perdeu um de seus maiores estabilizadores.
A Terra entrou em um estado estável de supergelo global.
5. A liberação de metano (gás de efeito estufa) foi interrompida
Antes do congelamento, existiam muitos sedimentos ricos em metano (hidratos).
Com oceanos congelados e cadeias alimentares colapsadas, fontes naturais de metano diminuíram.
Menos metano = mais resfriamento.
O gelo se consolidou.
Quão frio ficou?
Modelos e evidências geológicas indicam temperaturas:
Pólos: até −100°C
Regiões tropicais: −20°C a 0°C
Os oceanos ficaram cobertos por gelo de centenas de metros de espessura, exceto pequenas áreas próximas da linha do Equador, onde micróbios e organismos multicelulares teriam sobrevivido.
Como o planeta saiu dessa mega glaciação?
A saída é tão importante quanto a entrada:
1. Vulcanismo contínuo durante milhões de anos
Com a Terra congelada:
Não havia chuva para retirar CO₂ da atmosfera.
Vulcões continuavam emitindo CO₂ sem parar.
Esse CO₂ se acumulou durante milhões de anos.
Estimates: até 12% de atmosfera composta de CO₂ — uma concentração colossamente alta.
2. Efeito estufa extremo
Quando o CO₂ atingiu níveis críticos:
O gelo começou a derreter primeiro nos trópicos.
A superfície escura da água absorveu radiação e acelerou o derretimento.
3. A Terra saiu da “Bola de Neve” em um colapso rápido
O descongelamento pode ter ocorrido em menos de 10 mil anos — extremamente rápido em termos geológicos.
Consequência: a explosão da vida multicelular
Logo após o descongelamento, veio o período:
Ediacarano
→ surgiram os primeiros organismos multicelulares complexos.
A hipótese atual é que:
O aquecimento rápido
A presença de nutrientes trazidos das geleiras
A reorganização dos oceanos
forneceram um ambiente ideal para formas de vida maiores e mais complexas.
Lições do evento “Terra Bola de Neve” para o clima atual
Embora o congelamento tenha ocorrido por razões naturais, ele mostra:
1. O clima da Terra pode mudar drasticamente quando ultrapassa certos limiares (“pontos de não retorno”).
2. Feedbacks positivos podem amplificar pequenas mudanças.
Hoje:
Geleiras derretendo
Emissão de metano de permafrost
Acidificação oceânica
são feedbacks que também podem acelerar mudanças climáticas atuais.
3. CO₂ controla a temperatura da Terra em escala global.
No passado:
Pouco CO₂ → planeta congelou
Hoje:Muito CO₂ → planeta aquece rapidamente

O CO₂ controla a temperatura da Terra em escala global.
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