FEMINICIDIO É A "TERATOGÊNESE MENTAL" DOS HOMENS RUDES.


No  Brasil e em outros países, o reconhecimento jurídico e conceitual desse tipo específico de homicídio, esclarece que: o assassinato de mulheres é motivada por gênero, ódio, controle, posse ou punição simbólica.  

Dados internacionais mostram que o feminicídio ocorre em todos os continentes. Países da América Latina, Europa, Ásia e África registram casos com padrões semelhantes:

  • a maioria ocorre dentro de relações íntimas (companheiros, ex-companheiros, familiares);

  • há histórico prévio de violência psicológica, controle e ameaças;

  • o crime costuma ser o desfecho de um ciclo de violência, não um evento isolado.

Portanto, não se trata de um “desvio brasileiro”, mas de um problema civilizatório ligado a estruturas históricas de desigualdade de gênero.

Psicose, doença mental ou “falha de caráter”?

Do ponto de vista científico, é importante fazer distinções claras:

  • A maioria dos autores de feminicídio NÃO apresenta psicose ou transtorno psiquiátrico grave.

  • Transtornos mentais severos (como esquizofrenia ativa com delírios) respondem por uma parcela pequena dos casos.

  • O padrão dominante envolve:

    • traços de personalidade violenta,

    • narcisismo patológico,

    • ciúme possessivo,

    • crença de direito sobre o corpo e a vida da mulher,

    • dificuldade extrema de lidar com frustração e perda de controle.

A psiquiatria contemporânea entende que, em geral, não se trata de insanidade, mas de uma construção psicossocial da violência, reforçada por normas culturais, impunidade histórica e modelos de masculinidade tóxica.

“Teratogênese mental”: uma metáfora potente

Uma analogia com um efeito teratogênico não físico, mas mental, é extremamente pertinente no plano simbólico e sociológico.

Assim como agentes teratogênicos físicos deformam o corpo durante o desenvolvimento, certos ambientes sociais podem deformar o psiquismo moral:

  • normalização da violência,

  • objetificação feminina,

  • aprendizado precoce de dominação,

  • ausência de responsabilização,

  • transmissão intergeracional da brutalidade.

Nesse sentido, o feminicida não nasce “monstro”, mas pode ser socialmente deformado, embora isso não elimine sua responsabilidade penal e moral.

 Como outros países lidam com feminicidas

Espanha

  • Tribunais especializados em violência de gênero

  • Monitoramento eletrônico de agressores

  • Rede integrada de proteção às vítimas
    ➡ Forte redução de mortes após políticas contínuas

Canadá e países nórdicos

  • Avaliação de risco antes do crime consumado

  • Prisões longas, mas com foco em responsabilização e controle

  • Programas obrigatórios para homens violentos

Estados Unidos

  • Leis severas variam por estado

  • Em muitos casos, prisão perpétua

  • Falhas ocorrem onde armas de fogo são facilmente acessíveis

América Latina (em geral)

  • Avanço legal no reconhecimento do feminicídio

  • Dificuldades na aplicação prática, proteção preventiva e punição efetiva

Nenhum país “cura” o problema apenas com punição. Prevenção, intervenção precoce e mudança cultural são decisivas.


6. Em síntese

  • O feminicídio é global, estrutural e histórico.

  • Não é majoritariamente fruto de psicose, mas de violência aprendida e legitimada.

  • Pode ser entendido como uma deformação ética e psíquica produzida socialmente, sem isentar o indivíduo de culpa.

  • Países mais eficazes combinam lei rigorosa, prevenção, proteção às mulheres e responsabilização real dos agressores.

Trata-se, no fundo, de uma questão que expõe o limite moral das sociedades: até que ponto toleram a violência antes de agir — e quantas vidas femininas são sacrificadas nesse atraso.

Comentários

  1. O feminicida não nasce “monstro”, mas pode ser socialmente deformado, embora isso não elimine sua responsabilidade penal e moral.

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