Os beija-flores (colibris) vivem mesmo esse “casamento ecológico” com as flores tropicais.
Colibris — versos de ciência e néctar.
No calor dourado do verão brasileiro,
surge um lampejo vivo, metálico, ligeiro.
Não é inseto, nem folha ao vento a girar —
é um coração alado que aprende a pairar.
Batem asas no ar em oito desenhado,
cinquenta vezes por segundo, ritmo acelerado.
São mestres do voo que o tempo desafia,
pairam no espaço como pura energia.
Seu bico é agulha de néctar e cor,
feito sob medida para o tubo da flor.
Enquanto se alimenta do doce floral,
leva pólen na testa — mensageiro vital.
Visita helicônias, bromélias em chama,
flores vermelhas que o inseto não chama.
Vê cores que o humano mal pode enxergar,
no ultravioleta o jardim a brilhar.
Pequeno no corpo, gigante em vigor,
o metabolismo ferve como um motor.
Precisa comer quase o tempo inteiro,
ou a vida se apaga num piscar ligeiro.
À noite, porém, o milagre abranda:
entra em torpor, a energia se guarda.
O coração desacelera, a temperatura cai,
é ciência do sono que a vida mantém e traz.
Territorial, valente, defende o jardim,
mesmo sendo leve como sopro de capim.
Não canta canções longas como o sabiá,
mas seu zumbido é música do ar a vibrar.
E assim, entre pétalas, luz e calor,
costuram florestas com fios de amor.
Sem eles, o verde perderia a voz —
pois muitas sementes começam com nós.

Pequeno no corpo, gigante em vigor,
ResponderExcluiro metabolismo do beija-flor ferve como um motor.