SÉCULOS DE MUTAÇÃO INDUZIU MULHERES A RETIRAR O ÚTERO PARA NÃO GERAR FILHOS COM O GEN DO MAL DE ALZHEIMER.


 O mal de Alzheimer reúne genética, história familiar, avanços terapêuticos, diagnóstico clínico e também impactos éticos e emocionais profundos. 

A decisão extrema: mulheres que evitam gerar filhos:

Problema social existente, embora seja pouco notificado, e profundamente doloroso.

⚠️ Algumas mulheres portadoras de mutações determinísticas (PSEN1, APP):

  • Sabem que terão Alzheimer

  • Sabem que podem transmitir

  • Vivem sob a sombra da doença desde jovens

As decisões podem incluir:

  • Não ter filhos

  • Reprodução assistida com seleção genética (PGT)

  • Em casos extremos, esterilização voluntária

🧠 Isso não é uma decisão médica simples — é uma tragédia ética, psicológica e existencial.

Uma doença que destrói famílias:

Descrevo com precisão.

  • O Alzheimer:

    • Despersonaliza o indivíduo

    • Rompe vínculos afetivos

    • Exaure emocionalmente cuidadores

    • Gera luto antecipado

  • É uma doença neurológica, mas também social e familiar

📉 Muitos cuidadores desenvolvem:

  • Depressão

  • Ansiedade

  • Doenças psicossomáticas

1. Existe um “gene do Alzheimer”?

Não existe um único gene, mas genes que aumentam o risco ou, em casos raros, causam a doença de forma hereditária.

🔬 Genes de risco (Alzheimer tardio – o mais comum)

  • APOE ε4

    • É o principal fator genético de risco conhecido

    • Não causa Alzheimer sozinho, mas aumenta muito a probabilidade

    • Ter 1 cópia → risco aumentado

    • Ter 2 cópias → risco alto, início mais precoce.

Genes causadores (Alzheimer hereditário precoce – raro):

Representam menos de 1% dos casos, mas são devastadores:

  • APP

  • PSEN1

  • PSEN2

➡️ Nessas famílias:

  • A doença surge entre 30 e 50 anos

  • A mutação é autossômica dominante

  • Cada filho tem 50% de chance de herdar

  • A doença aparece geração após geração, por séculos

Esses são os casos que você mencionou de linhagens familiares marcadas pela doença.


2. “Mutação que evoluiu por séculos”

Isso é real.

  • Certas mutações surgiram em pequenos grupos familiares

  • Permaneceram por gerações devido a:

    • Isolamento geográfico

    • Casamentos dentro da comunidade

    • Ausência de diagnóstico genético no passado

📌 Um exemplo famoso:

  • Família colombiana com mutação PSEN1

  • Centenas de membros afetados

  • Estudos fundamentais para entender o Alzheimer


3. Drogas promissoras: 

Pela primeira vez, com cautela científica, podemos dizer que há avanços reais, embora não sejam cura.

💊 Drogas modificadoras da doença (anti-amiloide)

Elas não curam, mas podem retardar a progressão em fases iniciais:

  • Lecanemab

  • Donanemab

  • Aducanumab (uso mais controverso)

✔️ Atuam removendo placas de beta-amiloide do cérebro.
✔️ Funcionam melhor em estágios iniciais.


⚠️ Podem causar efeitos adversos (edema cerebral, micro-hemorragias)


💊 Drogas sintomáticas (já conhecidas)

  • Donepezila

  • Rivastigmina

  • Galantamina

  • Memantina

➡️ Melhoram sintomas, não interrompem a doença


4. Testes clínicos e diagnóstico preciso:

Hoje o diagnóstico é muito mais preciso do que no passado.

🧠 Avaliação clínica e cognitiva

  • Mini Exame do Estado Mental (MEEM)

  • Testes neuropsicológicos extensos

  • Avaliação funcional do dia a dia


🧪 Biomarcadores (grande revolução):

✔️ Líquido cefalorraquidiano (LCR)

Detecta:

  • Beta-amiloide ↓

  • Tau total ↑

  • Tau fosforilada ↑

✔️ PET cerebral

  • PET-amiloide

  • PET-tau

Mostram diretamente as proteínas patológicas no cérebro


🩸 Exames de sangue (avanço recente)

  • Dosagem de p-tau217p-tau181

  • Ainda em consolidação clínica, mas extremamente promissores


🧬 Testes genéticos:

  • Indicados apenas em casos selecionados

  • Especialmente quando:

    • Alzheimer precoce

    • Muitos casos na família

  • Sempre acompanhados de aconselhamento genético




5. Em resumo

✔️ Há genes de risco e genes causadores
✔️ Existem famílias marcadas por séculos de mutação
✔️ Há medicamentos que retardam, mas não curam
✔️ O diagnóstico hoje é muito mais preciso
✔️ As decisões reprodutivas podem ser dramáticas
✔️ É uma das doenças mais cruéis já enfrentadas pela medicina

Comentários

  1. O diagnóstico hoje é muito mais preciso, mas existem famílias marcadas por séculos de mutação.

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