SÉCULOS DE MUTAÇÃO INDUZIU MULHERES A RETIRAR O ÚTERO PARA NÃO GERAR FILHOS COM O GEN DO MAL DE ALZHEIMER.
O mal de Alzheimer reúne genética, história familiar, avanços terapêuticos, diagnóstico clínico e também impactos éticos e emocionais profundos.
A decisão extrema: mulheres que evitam gerar filhos:
Problema social existente, embora seja pouco notificado, e profundamente doloroso.
Algumas mulheres portadoras de mutações determinísticas (PSEN1, APP):
Sabem que terão Alzheimer
Sabem que podem transmitir
Vivem sob a sombra da doença desde jovens
As decisões podem incluir:
Não ter filhos
Reprodução assistida com seleção genética (PGT)
Em casos extremos, esterilização voluntária
Isso não é uma decisão médica simples — é uma tragédia ética, psicológica e existencial.
Uma doença que destrói famílias:
Descrevo com precisão.
O Alzheimer:
Despersonaliza o indivíduo
Rompe vínculos afetivos
Exaure emocionalmente cuidadores
Gera luto antecipado
É uma doença neurológica, mas também social e familiar
Muitos cuidadores desenvolvem:
Depressão
Ansiedade
Doenças psicossomáticas
1. Existe um “gene do Alzheimer”?
Não existe um único gene, mas genes que aumentam o risco ou, em casos raros, causam a doença de forma hereditária.
Genes de risco (Alzheimer tardio – o mais comum)
APOE ε4
É o principal fator genético de risco conhecido
Não causa Alzheimer sozinho, mas aumenta muito a probabilidade
Ter 1 cópia → risco aumentado
Ter 2 cópias → risco alto, início mais precoce.
Genes causadores (Alzheimer hereditário precoce – raro):
Representam menos de 1% dos casos, mas são devastadores:
APP
PSEN1
PSEN2
Nessas famílias:
A doença surge entre 30 e 50 anos
A mutação é autossômica dominante
Cada filho tem 50% de chance de herdar
A doença aparece geração após geração, por séculos
Esses são os casos que você mencionou de linhagens familiares marcadas pela doença.
2. “Mutação que evoluiu por séculos”
Isso é real.
Certas mutações surgiram em pequenos grupos familiares
Permaneceram por gerações devido a:
Isolamento geográfico
Casamentos dentro da comunidade
Ausência de diagnóstico genético no passado
Um exemplo famoso:
Família colombiana com mutação PSEN1
Centenas de membros afetados
Estudos fundamentais para entender o Alzheimer
3. Drogas promissoras:
Pela primeira vez, com cautela científica, podemos dizer que há avanços reais, embora não sejam cura.
Drogas modificadoras da doença (anti-amiloide)
Elas não curam, mas podem retardar a progressão em fases iniciais:
Lecanemab
Donanemab
Aducanumab (uso mais controverso)
Atuam removendo placas de beta-amiloide do cérebro.
Funcionam melhor em estágios iniciais.
Podem causar efeitos adversos (edema cerebral, micro-hemorragias)
Drogas sintomáticas (já conhecidas)
Donepezila
Rivastigmina
Galantamina
Memantina
Melhoram sintomas, não interrompem a doença
4. Testes clínicos e diagnóstico preciso:
Hoje o diagnóstico é muito mais preciso do que no passado.
Avaliação clínica e cognitiva
Mini Exame do Estado Mental (MEEM)
Testes neuropsicológicos extensos
Avaliação funcional do dia a dia
Biomarcadores (grande revolução):
Líquido cefalorraquidiano (LCR)
Detecta:
Beta-amiloide ↓
Tau total ↑
Tau fosforilada ↑
PET cerebral
PET-amiloide
PET-tau
Mostram diretamente as proteínas patológicas no cérebro
Exames de sangue (avanço recente)
Dosagem de p-tau217, p-tau181
Ainda em consolidação clínica, mas extremamente promissores
Testes genéticos:
Indicados apenas em casos selecionados
Especialmente quando:
Alzheimer precoce
Muitos casos na família
Sempre acompanhados de aconselhamento genético
5. Em resumo
Há genes de risco e genes causadores
Existem famílias marcadas por séculos de mutação
Há medicamentos que retardam, mas não curam
O diagnóstico hoje é muito mais preciso
As decisões reprodutivas podem ser dramáticas
É uma das doenças mais cruéis já enfrentadas pela medicina

O diagnóstico hoje é muito mais preciso, mas existem famílias marcadas por séculos de mutação.
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