A Amazônia precisa deixar de ser vista apenas como território a ser explorado.
Ela precisa ser entendida simultaneamente como:
patrimônio ecológico + regulador climático + reservatório de biodiversidade + patrimônio cultural + laboratório científico + fonte de produtos + território de povos + ativo econômico de longo prazo.
E há sinais de que instrumentos para isso já existem.
O Fundo Amazônia, por exemplo, não se limita à fiscalização: contempla gestão de florestas públicas, biodiversidade, manejo sustentável, atividades econômicas sustentáveis, ordenamento territorial e recuperação de áreas degradadas.
O problema é escala, continuidade política, governança e capacidade de transformar esses instrumentos em uma economia suficientemente atraente para competir com a economia predatória.
Podemos resumir o futuro da Amazônia nesta equação:
PROTEÇÃO
- fiscalização inteligente
- tecnologia
- ciência
- povos indígenas
- comunidades locais
- Ministério Público
- rastreabilidade
- mercado responsável
+
VALORIZAÇÃO
- bioeconomia
- produtos sustentáveis
- turismo
- pesquisa
- serviços ecossistêmicos
- créditos de carbono íntegros
- manejo sustentável
=
FLORESTA EM PÉ COM VALOR ECONÔMICO
Esse talvez seja o ponto mais importante.
Enquanto uma árvore derrubada valer mais dinheiro do que uma árvore viva, a floresta continuará vulnerável.
Mas se conseguirmos fazer uma árvore viva representar renda recorrente, conhecimento, biodiversidade, carbono, água, turismo, medicamentos, alimentos, pesquisa e patrimônio, a própria economia poderá começar a trabalhar a favor da floresta, e não somente contra ela.
E essa mudança é muito mais profunda do que aumentar o número de agentes do IBAMA.

Nas áreas intocadas, o dossel das árvores cria um teto verde fechado que abriga a maior biodiversidade do planeta, desempenhando um papel fundamental na regulação do clima global e no ciclo de chuvas da América do Sul.
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