A CRIANÇA QUE CONVIVE COM ANIMAIS PENSA: ¨UM SER VIVO DEPENDE DE MIM¨.


Ao conviver com outra espécie, a criança descobre, pela experiência, que existe uma vida que não pensa, sente e se comunica exatamente como ela — mas que merece cuidado, respeito e proteção.

O animal pode ser um “primeiro outro”.

A criança inicialmente tende a interpretar o mundo a partir de si mesma. Um cão, gato, coelho, cavalo, ave ou outro animal apresenta uma oportunidade concreta de perceber que outro ser possui necessidades próprias.

Ela aprende, por exemplo:

  • o animal sente fome, sede, medo e dor;
  • precisa descansar;
  • pode demonstrar alegria, ansiedade ou desconforto;
  • não compreende necessariamente a linguagem humana;
  • possui formas próprias de comunicação;
  • precisa ser cuidado mesmo quando não pode "retribuir".

Isso pode contribuir para o desenvolvimento da empatia, da capacidade de reconhecer necessidades alheias e do autocontrole.

 Desenvolvimento emocional:

Um pet pode proporcionar uma relação afetiva relativamente simples e previsível. A criança pode experimentar:

afeto → responsabilidade → cuidado → vínculo → perda → elaboração do luto.

Esse último ponto é importante. A morte de um animal de estimação pode ser uma das primeiras experiências da criança com a finitude da vida. Quando os adultos acolhem esse processo adequadamente, ele pode contribuir para que a criança compreenda que a vida é valiosa justamente porque é limitada.

A dimensão sensorial:

O contato responsável com animais também é uma experiência sensorial extraordinariamente rica.

A criança pode observar:

  • diferentes texturas de pelos, penas, escamas ou pele;
  • movimentos;
  • sons e vocalizações;
  • odores;
  • temperatura corporal;
  • diferentes maneiras de caminhar, voar ou nadar;
  • comportamentos de defesa e aproximação.

Isso pode estimular atenção, observação, curiosidade científica e discriminação sensorial.

E existe algo ainda mais profundo: a criança começa a perceber que os sentidos não são iguais entre as espécies.

Um cão possui capacidades olfativas muito superiores às humanas; muitas aves possuem uma visão extraordinária; morcegos utilizam ecolocalização; diversos animais percebem vibrações que nós praticamente ignoramos.

Para uma criança curiosa, isso pode ser a porta de entrada para a pergunta:

"Como será que este animal percebe o mundo?"

Essa pergunta é extraordinariamente educativa.

 Responsabilidade:

Quando uma criança participa, de acordo com sua idade, dos cuidados com um animal, aprende algo que brinquedos e aparelhos eletrônicos dificilmente proporcionam:

um ser vivo depende de mim.

Colocar água, ajudar na alimentação, limpar o espaço, respeitar o horário de descanso ou simplesmente perceber que o animal não quer ser tocado naquele momento são pequenas experiências de responsabilidade.

O importante é que o animal não seja tratado como brinquedo.

                                       


E o zoológico?

Primeiramente, uma distinção importante.

Uma visita a um zoológico pode ser extremamente educativa quando o foco está na compreensão e conservação da biodiversidade. A criança pode observar animais que provavelmente jamais encontraria na natureza e aprender sobre:

  • comportamento;
  • alimentação;
  • habitat;
  • ameaças ambientais;
  • reprodução;
  • conservação de espécies;
  • diferenças entre espécies;
  • relações ecológicas.

Mas o zoológico também pode produzir o efeito contrário se a experiência for simplesmente:

"Vamos ver animais presos."

Por isso, a qualidade da instituição, os recintos, o bem-estar animal, os programas de conservação e a educação oferecida fazem enorme diferença.

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