O BRASIL DESPONTA PARA A EXPLORAÇÃO DA BIOTECNOLOGIA AZUL


biotecnologia azul é o ramo da biotecnologia que utiliza organismos, células, genes e moléculas provenientes de ambientes aquáticos — mares, oceanos, estuários, manguezais, rios, lagos e ambientes extremos — para desenvolver produtos, processos e tecnologias de interesse humano.

Ela é especialmente interessante porque os ambientes aquáticos apresentam uma diversidade biológica enorme e organismos que produzem moléculas químicas que não são encontradas, ou são raras, em organismos terrestres.

 O que exatamente é explorado?

A exploração da biotecnologia azul não significa simplesmente "retirar recursos do mar". O objetivo moderno é identificar e compreender características biológicas úteis e transformá-las em produtos ou processos, preferencialmente de maneira sustentável.

Podemos explorar:

  • microalgas e macroalgas
  • bactérias e arqueias marinhas
  • fungos aquáticos
  • corais e organismos associados aos corais
  • esponjas
  • moluscos
  • crustáceos
  • peixes
  • cnidários
  • organismos de manguezais
  • organismos de ambientes extremos
  • enzimas produzidas por organismos aquáticos
  • genes responsáveis pela produção de moléculas de interesse
  • microbiomas associados a animais e plantas marinhos.

Um ponto fundamental é que muitas vezes não é necessário coletar grandes quantidades do organismo. Pode-se descobrir a molécula ou gene de interesse, cultivá-lo em laboratório ou transferir a informação genética para um sistema de produção.

 Bioprospecção marinha:

Uma das áreas mais fascinantes é a bioprospecção.

Imagine encontrar uma bactéria vivendo em uma região oceânica extremamente fria. Ela precisa produzir enzimas capazes de funcionar em baixas temperaturas.

O pesquisador pergunta:

"Será que essa enzima pode ser utilizada industrialmente?"

Então começa uma cadeia:

organismo → coleta/amostra → identificação → sequenciamento genético → descoberta da molécula → testes → produção → aplicação comercial.

Isso pode gerar:

  • medicamentos;
  • enzimas industriais;
  • cosméticos;
  • alimentos funcionais;
  • biomateriais;
  • biocombustíveis;
  • produtos agrícolas;
  • biossensores.

 Biotecnologia azul e medicamentos:

Esta é uma das áreas de maior potencial.

Organismos marinhos vivem em ambientes onde existe uma intensa competição por espaço e recursos. Para sobreviver, alguns produzem substâncias químicas biologicamente ativas.

Essas moléculas podem apresentar atividades:

  • antitumorais;
  • antivirais;
  • antibacterianas;
  • antifúngicas;
  • anti-inflamatórias;
  • analgésicas;
  • imunomoduladoras.

Um exemplo clássico é a citarabina, medicamento anticancerígeno cuja descoberta está relacionada a nucleosídeos originalmente estudados em esponjas marinhas.

Outro exemplo é a trabectedina, um agente antitumoral originalmente associado a um organismo marinho, o tunicado Ecteinascidia turbinata.

Portanto, o oceano pode funcionar como uma gigantesca biblioteca química natural.

Biotecnologia dos ambientes extremos

Talvez aqui esteja uma das maiores fronteiras da biotecnologia azul.

Imagine organismos vivendo:

quilômetros abaixo da superfície → escuridão completa → alta pressão → temperaturas extremas → química incomum.

Esses organismos são chamados frequentemente de extremófilos.

Eles podem fornecer:

  • enzimas;
  • proteínas;
  • genes;
  • mecanismos de reparação celular;
  • moléculas antioxidantes;
  • sistemas metabólicos desconhecidos.

E existe uma consequência extraordinária:

estudar a biologia desses organismos também pode ajudar a compreender quais formas de vida poderiam existir em ambientes extraterrestres.

Portanto, a biotecnologia azul possui uma conexão interessante com a astrobiologia.

Cosméticos

Produtos marinhos também podem originar ingredientes para:

  • protetores solares;
  • hidratantes;
  • produtos anti-idade;
  • antioxidantes;
  • produtos para cabelos;
  • pigmentos;
  • compostos bioativos.

Algumas algas, por exemplo, produzem moléculas relacionadas à proteção contra radiação ultravioleta.

A indústria cosmética procura transformar essas propriedades naturais em ingredientes.

Comentários

  1. A exploração da biotecnologia azul visa identificar e compreender características biológicas úteis e transformá-las em produtos ou processos, preferencialmente de maneira sustentável.

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