Cientistas fizeram uma projeção estatística de mortes adicionais associadas ao calor extremo, para o período de setembro de 2026 a fevereiro de 2027, caso as condições previstas para este episódio de El Niño se confirmem.
O estudo é ligado ao Climate Impact Lab, iniciativa que reúne pesquisadores de instituições como a University of Chicago e a University of California, Berkeley. Entre os autores está Tamma Carleton, economista ambiental da UC Berkeley, e Michael Greenstone, da Universidade de Chicago.
A estimativa central é de aproximadamente 451 mil mortes adicionais por calor extremo nos seis meses até fevereiro de 2027. O modelo estima que a ocorrência de dias extremamente quentes poderá aumentar cerca de 44% em relação ao que seria esperado em anos normais, com aumento médio das temperaturas terrestres globais associado ao fenômeno.
Os números projetados incluem:
| Região/país | Mortes adicionais projetadas até fev. 2027 |
|---|---|
| Sahel africano | ~66.800 |
| Nigéria | ~31.400 |
| Indonésia | ~19.300 |
| Sudão | ~17.600 |
| Índia | ~15.800 |
| Brasil | ~13.300 |
| Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja | ~19.400 |
- aumentar a temperatura corporal;
- provocar desidratação e perda de eletrólitos;
- reduzir a capacidade do organismo de dissipar calor;
- elevar a frequência cardíaca;
- sobrecarregar o sistema cardiovascular;
- agravar doenças cardíacas e respiratórias;
- aumentar o risco de insuficiência renal;
- prejudicar pessoas que trabalham ao ar livre;
- atingir especialmente idosos, crianças pequenas e pessoas socialmente vulneráveis.
E existe um efeito particularmente importante: o calor pode matar pessoas que aparentemente não estavam sofrendo de uma doença aguda. Muitas mortes aparecem nas estatísticas como agravamento de doenças cardiovasculares, respiratórias ou renais.
Por isso, o número de mortes atribuíveis ao calor costuma ser muito maior do que o número de pessoas que chegam ao hospital diagnosticadas simplesmente como "insolação".
E por que os países pobres são tão vulneráveis?
Esse é um dos aspectos mais importantes da pesquisa.
Imagine duas populações submetidas a 42 °C.
Uma delas dispõe de:
- água potável abundante;
- ar-condicionado;
- hospitais próximos;
- eletricidade confiável;
- ambientes climatizados;
- transporte;
- sistemas de alerta;
- assistência aos idosos;
- legislação para proteger trabalhadores.
A outra possui casas precárias, eletricidade limitada, pouca água, trabalho agrícola ao ar livre e acesso difícil à assistência médica.
A mesma temperatura produz riscos humanos muito diferentes.
É por isso que os pesquisadores projetam uma concentração tão grande das mortes no chamado Sul Global.
E o Brasil?
O número projetado para o Brasil é de aproximadamente 13.300 mortes adicionais relacionadas ao calor entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027.
Isso não significa que 13.300 brasileiros necessariamente morrerão.
Significa que, comparando o cenário projetado para esse El Niño com a mortalidade esperada em condições climáticas normais, o modelo estima esse número adicional associado ao calor.
Para o Brasil, isso merece atenção especial porque o risco não é uniforme.
Regiões muito quentes, áreas urbanas densamente construídas, populações pobres e trabalhadores expostos ao sol podem apresentar vulnerabilidade maior.
E há uma combinação perigosa:
calor + seca + fumaça de incêndios + baixa umidade + falta de água.
Essa combinação pode aumentar simultaneamente os problemas cardiovasculares, respiratórios, renais e de saúde pública.

Combinação perigosa para a saúde: calor + seca + fumaça de incêndios + baixa umidade + falta de água.
ResponderExcluir